quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Considerações sobre o alcoolismo.

Considerações sobre o alcoolismo.


O alcoolismo é uma grave doença crônica, já catalogada (CID F10 –Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool), mas ela leva consigo um agravante: é confundida com desvio de caráter, pelo vulgo em geral e – pasmem! – por alguns médicos também. Pela minha observação, o desvio de caráter pode vir, às vezes até como um mecanismo de defesa do dependente, num patamar mais avançado da doença, quando o alcoólico passa a mentir, a negar que bebeu, a dirigir alcoolizado arriscando sua própria vida e a de outros, a comprometer suas responsabilidades familiares e profissionais…


Mesmo grave, sendo compreendida com uma dose de paciência e solidariedade familiar é possível ser controlada, através: a.) dos desvios dos gatilhos que levavam a beber. Um desses desvios de gatilhos é pela prática do exercício físico que o familiar deverá se determinar pacientemente a acompanhá-lo, embora no início vá perceber sua resistência em ir; b.) do convencimento em frequentar, também como companheiro solidário, os Alcoólicos Anônimos (AA), essa formidável entidade sem qualquer outro objetivo a não ser a recuperação dos alcoólicos. 


Ouvi em reunião dos AA depoimentos de vários alcoólicos em recuperação que estavam no fundo do poço e já há 30 (trinta!) anos não bebiam. Mesmo sabendo do risco que corriam – não me pareciam ingênuos absolutamente– consideravam que sua dignidade, sua saúde e suas finanças estavam finalmente recuperadas. E como era emocionante vê-los contar para nós, estranhos, com seriedade e franco desprendimento, suas tristíssimas histórias passadas e, com júbilo claro em seus olhares, as posteriores bem-aventuradas já de recuperação. Confesso que quando cheguei em casa, rezei por eles todos, ainda emocionado, sem entender a razão de um suposto eventual estigma dessa entidade tão merecedora de consideração e respeito.


A minha profunda admiração, primeiro, aos que, com esperança e determinação, conseguem força para a recuperação e, segundo, aos que, com solidariedade e paciência, se dispõem a acompanhar pessoas acometidas por esse mal, já pesado por si só, e mais o agravante que carrega: a errônea, ignorante e perversa ideia de que seria um desvio de caráter.


(Esse texto é dedicado também à dra. Erlane, quem primeiro levou a um centro dos AA a pessoa para quem, com todo o meu amor, escrevo essas considerações, e à Gilda que tomou para si a continuação do generoso gesto da Erlane).

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

domingo, 24 de novembro de 2024

Para seus 67 anos.


O 67º aniversário da Gilda, 24 de novembro de 2024, nos surpreendeu com a crise de dependência do álcool e, consequentemente, ao que tudo indicava, o fim do casamento do nosso filho que nos abalou muito. Esse poema foi meu gesto de amor, o meu estímulo para sua luta travada contra a dependência dele, frequentando o AA junto com ele, mostrando sua força e cuidado maternais, enquanto eu me dedicava a levá-lo a pedalar e nadar comigo para desviá-lo dos gatilhos para beber. Esses foram nossos papeis de pais amorosos.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Uma reflexão na perspectiva do Pedro

Queridos  Kaká e Marcos…


Uma reflexão na perspectiva do Pedro.


Kaká, um dia, comovido com seu surpreendente primeiro desabafo comigo sobre o seu sofrimento em relação ao comportamento do Marcos, emiti minha opinião para que você tivesse a certeza de que estávamos do seu lado: Se você fosse minha filha, eu a aconselharia a se separar. 


Tenho remoído isso em mim, primeiro: por ter sido parcial por não ter levado em conta a perspectiva do Pedro, parte importantíssima no drama; segundo: pela impressão de ter, de algum modo, influenciado, já que logo veio a acertada decisão de vocês da separação de corpos. 


Digo acertada porque nada melhor do que o espaço privado e um tempo generoso reservados para aprofundar reflexões e sopesar prós e contras levando em conta os nossos bons valores que numa decisão definitiva afetam tantas vidas, uma delas talvez de forma irreversível, e aqui insisto: a do Pedro. Daí porque peço que esse tempo de separação de corpos seja generoso consigo mesma (dê todo o tempo que lhe for necessário), torcendo com toda genuína força de minha alma pelo resgate do casamento. 


Marcos, você sabe minha opinião sobre crises matrimoniais, os dois têm suas parcelas de responsabilidade, mas um deles normalmente tem a de maior peso. Tenho me empenhado para a superação das suas depressão e ansiedade  forçando-o a fazer exercícios comigo para desviá-lo dos gatilhos da bebida. Fizemos um acordo de retiro aqui em casa, mas com a condição de você se submeter à nossa autoridade. Estamos tendo sucesso, hoje é o quinto dia com exercícios de caminhada, bicicleta, natação e, sob a inspiração dos AA, a lembrança: “Hoje, eu não vou beber!”.


Sei que você tem uma doença crônica, mas conheço uma pessoa que não bebe há 25 anos (comprovei recentemente) e preservo a esperança de que você consiga o mesmo.


Enfim, por estar me remoendo pela razão que expus no início, gostaria de neutralizar esse mal estar e, quem sabe, sensibilizar vocês dois com esse poeminha emocionado ao ver o Pedro chorar aqui em casa perguntando pelo papai dele e, em nome dele, sugerir como na foto: só mais um esforço do casal! 


Com o meu mais sincero amor aos três,


Caique.




quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Mensagem a um sionista tupiniquim

Há alguns meses fui convidado para uma confraternização e quase me envolvi numa discussão com um pró sionista, felizmente intercedido delicadamente pela anfitriã que neutralizou qualquer tema polêmico. Em casa, porém, escrevi-lhe uma mensagem que ora publico sem nomeá-lo. 


***


Sionista tupiniquim…


Para se compreender um pouquinho melhor a questão palestina é preciso saber dos antecedentes, sem saber deles é ignorância, daí é que sugeri leituras às quais você se recusou categoricamente.


Entretanto, insisto em que procure saber do que se trata a Declaração Balfour (1917), anterior ao Mandato Britânico na Palestina (1920-1948), o terrorismo sionista contra o Mandato Britânico, por exemplo, com a explosão do Hotel King David onde ficava a sede do Mandato, cuja detonação foi liderada e executada por Menachen Beguin, que se tornou o 6º primeiro-ministro de Israel, com o intuito de intimidar o Mandato (e intimidou!) que acabou levando à traição Britânica da causa palestina e à injusta divisão territorial feita pela ONU onde a maioria de um povo ficou com a menor parte do território, daí a razão da invasão árabe no dia seguinte ao 14 de maio de 1948.

 

O sionismo, criado no século XIX pelo judeu húngaro Theodore Hertzl, é uma ideologia de extrema direita que preconiza um Estado judeu colonial e racista. Estive na Cisjordânia, Belém fica lá, a entrada é policiada por judeus. Vi nosso guia conversando com eles e depois chegou dizendo que não ia entrar. Perguntei tudo: se eram judeus os policiais (sim foi a resposta), por que ele não ia entrar (porque era perigoso para ele, judeu, sendo substituído por uma guia palestina). Mais: há inúmeras colônias de Israel dentro da Cisjordânia, judeus vindos de toda parte da Europa.

 

Árabes que moram  há anos em Israel são cidadãos de segunda categoria, até para contraírem matrimônio têm que pedir autorização ao rabinato, que judeus não precisam. Por essas e outras, o Estado é colonial e racista. E se tornou um Estado teocrático, o que a imprensa ocidental não revela.


Entretanto, isso é o de menos. O essencial é o direito adquirido por Israel de matar os seus netinhos, sionista tupiniquim, os meus netinhos… porque é isso o que eles estão fazendo com os equivalentes palestinos, mais de 70% dos mortos nesta limpeza étnica são crianças e mulheres, velhos e doentes, sem que sensibilize seus defensores mundo afora, sei que são poucos em decorrência das atrocidades do sionismo, a versão judia do fascismo. Ante esse horror, tenho chorado. Felizmente, a nossa anfitriã intercedeu e paramos porque ouví-lo mais faria com que me arrependesse de ter ido a um encontro que, enfim, foi muito agradável.


Você pode responder com qualquer mensagem, mas eu não continuarei, ante essa insensibilidade não há diálogo possível.


Caíque.

De coração estaremos!

domingo, 20 de outubro de 2024

terça-feira, 8 de outubro de 2024

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Com café brindo à Denise!





Com café brindo à Denise!

Três de outubro, cedo acordo.
Enquanto um bom café passo
de outros tempos me recordo
da noite ruim me refaço.

Com café vou à internet
na esperança de bom senso
encontrar, o que me submete
porém, é um temor intenso:

Ucrânia, oriente médio...
a iminente mundial crise.
Desligo, não há remédio.
Com café brindo à Denise!

***

Acompanhando a escalada de violência das guerras que aí estão, através dos analistas geopolíticos e militares, tem me deixado preocupado e insone. Esta noite foi de cão, mas reverto para alguma criatividade e fiz uma crônica narrativa em forma de poema. Esta cabe aqui porque diz respeito aos meus pensamentos de manhã que alternavam entre as notícias da guerra e o teu aniversário.


quinta-feira, 12 de setembro de 2024

domingo, 25 de agosto de 2024

terça-feira, 23 de julho de 2024