Ecos na alma
Rubra primavera
luzes do entardecer,
n’alma reverbera.
Hai-kais e poemas de Caíque Vieira
Década de 70, Quixeramobim, CE. Numa pausa dos trabalhos de construção da casa da Fazenda Santa Mônica, papai senta num banco para descansar e é fotografado pelo meu irmão. Chamou minha atenção aquele instante solitário dele, parecia mergulhado em pensamentos profundos. Ele era um belo homem e, naquele momento, o recolhimento às vezes cria uma aura de mistério em torno da pessoa que lhe empresta ainda mais beleza. Minha pequena homenagem com a música de fundo Serenade in Blue que ele gostava muito. (Texto da postagem no Instagram onde é possível a música de fundo).
Soneto para Bodas de Carbonato (44 anos)
Para Gilda
Estabilidade e resistência,
Bem a cara de uma relação
Que escolheu o cuidado, a prudência
As prioridades na sua condução.
Até o carbonato, a atração primeiro,
O clarão do amor logo em seguida
E faço dele o meu candeeiro
Para ver com ela o melhor da vida.
Penso que é uma união resistente
Muita história que fortalece o amor
Embora o inédito abale a gente
Às vezes, por que não? E causa dor…
É que a vida é assim: intermitente
E ainda sou dela um amador.
O retrato antigo,
já há muitos anos na
mesinha comigo,
até meio pálido,
atiça o velho desejo
como sempre cálido.
Trocando a Roupa da Alma
Veja se o passo estancou na rotina,
sinais de tédio, há uma solução
junto a alguém cuja ideia se afina
busque a janela de um avião.
Ah! Buenos Aires, Roma ou Paris...
um mapa aberto para se ganhar
dê-se o prazer de um tempo feliz
num lugar lindo para apreciar.
Esqueça o relógio, vá viajar
sentir nova brisa em Puerto Madero
flanar no Trastevere, Boulevard
Saint Germain, Quartier Latim, mundo inteiro.
Bem já dizia o poeta Quintana
com maestria e lúcida calma:
basta o alento de uma semana
pra gente trocar a roupa da alma.