quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O ofício da beleza


 O ofício da beleza

A beleza é pra ser vista

e, se vista, admirada

com a maestria do artista

que quando a vê não degrada.


Se o artista tem o ofício

de produzir a beleza,

descobrir não é difícil

o do belo – a sutileza:


na porta da orecchietteria
os olhos do artista a viram,
eles, de rara alegria,
por um instante, sorriram!

Saudade do Brasil (Warm Musical Phrases [from Sunrise Bossa])


Saudade do Brasil (Sunrise Bossa - versão em inglês)



Sunrise Bossa


At the corner café, my old chair stays

A folded paper, the date worn thin

I point to a photograph from those days

And tell you where the songs begin


The baker still knows every name

The sea keeps time against the pier

We trade old stories without blame

And make a little room for here


Come sit awhile, remember with me

Not to return, but to understand

What we have lost, what we can still be

A place rebuilt by an open hand


Our friend left with a suitcase brown

His mother saved his letters tied

Years made their way through this small town

Still, nobody let the truth subside


Come sit awhile, remember with me

Not to return, but to understand

What we have lost, what we can still be

A place rebuilt by an open hand


The coffee cools; the evening leans

You leave the photograph with me

And in its crease, between the scenes

A road goes on beside the sea


Tradução 


No café da esquina, minha velha cadeira permanece

Um papel dobrado, a data já gasta

Aponto para uma fotografia daqueles dias

E te conto onde as canções começam

 

O padeiro ainda sabe cada nome

O mar marca o tempo contra o cais

Trocamos velhas histórias sem culpa

E abrimos um pequeno espaço para este lugar

 

Venha sentar-se um pouco e relembrar comigo

Não para voltar, mas para compreender

O que perdemos, o que ainda podemos ser

Um lugar reconstruído por uma mão aberta

 

Nosso amigo partiu com uma mala marrom

A mãe guardou as cartas do filho, amarradas

Os anos abriram caminho por esta pequena cidade

Ainda assim, ninguém deixou a verdade esmorecer

 

Venha sentar-se um pouco e relembrar comigo

Não para voltar, mas para compreender

O que perdemos, o que ainda podemos ser

Um lugar reconstruído por uma mão aberta

 

O café esfria; o anoitecer se inclina

Você deixa a fotografia comigo

E na sua dobra, entre as cenas

Uma estrada segue ao lado do mar.



Mensagem


A mensagem central da letra é: lembrar o passado não para voltar a ele, mas para compreendê-lo e reconstruir o que ainda é possível.


Ela fala de memória, perda, passagem do tempo e reconstrução. O eu lírico convida alguém a sentar e recordar, mas deixa claro que o objetivo não é nostalgia paralisante:


“Não para voltar, mas para compreender o que perdemos e o que ainda podemos ser.”


Outros pontos importantes:


· Memória coletiva e pessoal: o café, a cadeira, o padeiro, o mar, o cais e as histórias antigas mostram uma comunidade que preserva seus laços e sua história.


· Perda e ausência: o amigo que partiu com a mala marrom e as cartas guardadas pela mãe representam alguém que se foi, mas cuja memória e verdade continuam vivas.


· Reconciliação sem culpa: “Trocamos velhas histórias sem culpa” sugere superar mágoas e olhar o passado com mais compreensão.


· Reconstrução com abertura: “Um lugar reconstruído por uma mão aberta” indica que a reconstrução — de uma vida, de uma cidade, de uma comunidade — acontece pela generosidade, acolhimento e disposição de olhar para o outro.


· Continuidade: no fim, o café esfria, a noite chega, a foto fica, mas “uma estrada segue ao lado do mar”. A vida continua, e o caminho permanece aberto.


Resumindo: a música diz que podemos honrar o que perdemos, manter viva a verdade e seguir adiante, reconstruindo o presente com memória, aceitação e abertura — não com apego ao que já não pode voltar.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Saudade do Brasil


Saudade do Brasil


Com certa nostalgia 

Penso em outro Brasil

Onde havia a alegria 

De uma gente juvenil 


Lá nos anos cinquenta 

O país já parece

Uma promessa e ostenta

Campeões, bom alicerce. 


Mas veio a noite obtusa

A escuridão do breu

Que a nossa vida cruza

E o povo emudeceu. 


Voltamos a cantar

Mas por breve intervalo

É urgente exorcizar 

Quem quer cantar de galo. 


música

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Ao Marquinho, por uma vitória...


Ao Marquinho, por uma vitória...

Este instrumental jazz fusion chama-se "Por uma vitória" e fiz estimulado pela sua que se você, aliado ao Bom Deus, quiser, acontecerá.

Fotos




quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Sob o olhar de Teresinha


Sob o olhar de Teresinha


Para que a fé não desista,

nunca deixe meu coração,

seja minha alma altruísta

e com uma humilde oração


à nossa Santinha insista,

com esperança, no pedido

de ter no horizonte à vista

a cura do filho querido.


A fé, hesitante, ia e vinha,

mas sob o olhar de Teresinha,

Santa do Menino Jesus,

ora em certeza se traduz.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O implacável tempo



O implacável tempo


Os dias vão gotejando

nas semanas, estas nos meses 

que em anos vão se transformando,

e a gente se dá conta às vezes


quando já é tarde na vida,

os cabelos brancos ao espelho

e várias rugas em seguida,

que se tornou de vez um velho.


Vai no álbum de fotografias

e vê que o tempo é feito traça,

corrói, sem pena ou cortesias

 vãs, na medida em que ele passa.


É difícil acreditar

que sejam a mesma pessoa.

Do nosso olho, num piscar,

a juventude em nós escoa.


música

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Mônica


Mônica


Jovem da fuzarca

em outros ares se torna

a alegre matriarca.

Leonardo


Leonardo


Herdeiro das mais

generosas aptidões 

de ambos nossos pais. 

Ricardo


Ricardo


Dele sempre guardo 

a impressão que esconde em si

a boa veia do bardo.

Denise




Denise

Notória a afeição

dedicada ao parceiro, à

prole e a cada irmão.

domingo, 20 de setembro de 2026

Memórias afetivas/Criança do século passado.



Criança do século passado


Nós, crianças do século passado,

Não conhecíamos o celular

O jogo, coletivo, era jogado

Na mesa, no chão, em qualquer lugar.


O melhor era estar junto e brincar

É o que criança tem que fazer

Nada de aparelhos e se enfurnar

É o que faz criança entristecer. 


A infância era sol, poeira e corrida, 

Com pega-pega e bola na calçada, 

Uma risada livre e divertida 

Sem precisar bateria carregada.


Respirar ar puro e inventar o dia 

Faz da vida um eterno aprender, 

Pois a verdadeira e pura alegria 

A gente encontra mesmo ao viver.