Margem Esquerda
Hai-kais e poemas de Caíque Vieira
segunda-feira, 22 de junho de 2026
quinta-feira, 18 de junho de 2026
A delicada arte culinária
Os quatro pilares em que se assenta a cultura humana são: a arte, a ciência, a mística e a filosofia. Dessas quatro grandes manifestações de nosso espírito, se fosse para eu escolher uma, escolheria a arte por me parecer a mais lúdica.
Até o século passado, a humanidade dividiu a arte em seis, quais são: a Música, a Dança, a Pintura, a Escultura, a Literatura, o Teatro e agora, a partir do século XX, mais uma, a sétima arte, o Cinema. Sempre acho que cometemos uma injustiça aí quando esquecemos a delicada Arte Culinária, delas talvez a que mais agrega as pessoas. Não é sem razão que Jesus Cristo reunia-se sempre com seus apóstolos em torno de uma mesa frugal, mas generosa.
A cozinha projetada para ser um ponto de encontro de uma casa ou um sítio é sempre um lugar muito agradável, sobretudo se há um artista culinário entre os convivas preparando petiscos para acompanhar a conversa regada a um bom café ou vinho.
Comer é um dos grandes e últimos prazeres que matemos até a idade avançada, mas é preciso saber comer, é uma arte que requer um sentido estético apurado e delicadeza, é necessário que saibamos comer bem e de forma agradável também aos que nos acompanham.
Alguns povos são especialistas e a praticam muito bem, com estética e requinte, como os franceses e os japoneses, por exemplo.
Os franceses têm um dos mais baixos índices de colesterol do mundo, servem-se sequencialmente em pequenas porções acompanhadas com uma taça de vinho, têm a fama internacional de bons gourmets.
Os japoneses são longevos. É o povo que mais pessoas centenárias têm entre eles, por causa de sua saudável, saborosa, delicada, colorida e bela culinária, milenarmente forjada pela limitação de seu diminuto território. Cultivam vistosas frutas e exploram os frutos do mar, especialmente as algas com que costumam envolver o arroz, também muito cultivado.
As outras artes requerem a atenção de um ou dois de nossos sentidos. Se vamos a uma sala de concerto, por exemplo, ouvimos a música apenas e vamos embora sem grandes interações com o outro que está ao nosso lado. Já a arte culinária, além de envolver vários sentidos, senão todos, pode nos conduzir a conversas agradáveis e prazerosas interações.
Influenciados pelo estilo pragmático americano, e pelo corre-corre de seu individualista e neurótico modo de vida, fomos conduzidos às fast foods e deixamos de adquirir a sensibilidade para apreciar com atenção e temperança esta que é eminentemente social, a Arte Culinária.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
terça-feira, 16 de junho de 2026
O gesto
segunda-feira, 15 de junho de 2026
quinta-feira, 11 de junho de 2026
O mundo é para se abraçar. (cantada)
O mundo é pra se abraçar
Para Ásia Central fui viajar, e vou
Já lhe falar de tudo o que vi por lá
Civilização, cultura eloquente
invisível para o ocidente.
Narcisistas, somos afinal, meu Deus!
Para que tanta soberba, oh Alá!
Calem-se americanos, europeus
O mundo é mais pra se abraçar!
Samarkanda em azul celestial
Buchara, um poema a respirar
Tashkent e Dushanbé, pulso oriental
História viva a me chamar.
Se o mapa mente ao nosso olhar, amor
Cabe à alma reaprender a ver
Há mundos que insistimos ignorar
Só ama quem deseja conhecer.
Jam section para o Eduardo.
no carro e deixou o vovô louco.
Mas correu tudo muito bem
agora é só mamar e dormir
Xixi pode fazer também
que a mamãe vai até sorrir
E quando acordar vai fazer
carinho, abraçar e cheirar
o mais cheirosinho bebê
Não vai pros teus irmãos falar.
Um dia, amor, você vai ver
a família que você tem
eles o amam pra valer
e você os amará também
quarta-feira, 10 de junho de 2026
sábado, 23 de maio de 2026
Noites Asiáticas (Moscou)
Noites Asiáticas (Moscou)
Moscou desperta em luz,
Longe do senso comum,
uma cidade que traduz
o século vinte e um
Tverskaia em turbilhão,
Risos cruzando o luar,
Cada vitrine uma atração
Cada bistrô a cantar.
No Café Pushkin, calor,
Velas, conhaque e jazz,
Uma profusão de cor
e a alegria que traz
Quem vê tristeza em Moscou
Nunca viveu seu clarão:
Há fogo em cada avenida,
Há festa em cada estação.
terça-feira, 19 de maio de 2026
Mel
Mel
Mel, vaidosa a passear
Cheia de charme e calor
Só quer saracotear
Troca olhares e tem humor
Corpinho a balançar
Ela é toda principesca
Corridinha? Nem pensar!
Prefere sombra e água fresca
Com cachorro é “talvez!”
Não é muito de amizade
Com gente não perde a vez
Pra um carinho sem maldade
Se a chuva começa a cair
Corre logo pra se esconder
Trovão faz ela fugir
E de nada quer saber.
sábado, 16 de maio de 2026
sexta-feira, 15 de maio de 2026
terça-feira, 12 de maio de 2026
Na velô em Paris
Na velô em Paris
Já não tão jovens
nosso coração pediu
uma boa aventura e o corpo assentiu
Paris! Foi a pedida
feliz, a gente foi logo em seguida.
Já em Paris
nas belas margens do Sena
o vento no rosto e a alegria era plena
sobre a velô francesa
tudo era agora surpresa.
Uma parada pra uma Perrier
que bom, c’est si bon!
Estar aqui com você
e de novo pegar no guidom
Firme destreza
pelas ruas de Paris
lhe traziam juventude e leveza
e a gente aprendiz
de uma vida com beleza.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
sábado, 9 de maio de 2026
Agora sou fidelista!
Agora sou fidelista!
Nunca fui de extrema esquerda,
Mas me acusavam de ser.
Minha mente meio lerda
custou para perceber
que de extrema eram eles
escondidinhos no armário.
Foi surgir um desses reles,
chinfrim, sórdido, ordinário,
facínora, vulgo mito,
que logo se bandearam
para as hostes do maldito,
os que o dedo me apontaram.
Ora, ora, seu fascista,
se é para ser assim,
aviso do meu jardim:
agora sou fidelista!
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Dança das águas
Dança das águas
Ah… no azul vibra um segredo
Ah… gotas descem em canção
E ao mistério finalmente cedo
Diante dessa imensidão
Coral abre seus braços
Em múltiplos abraços.
As ondas tecem seus traços
de espuma que não cessa
As bolhas sobem em dança
Riscam as trilhas no mar
O tempo esquece a pressa
Só existe a vida a pulsar
E dessas águas no vai e vem
É que tudo aprende a fluir
Entre todo o mau e todo o bem
O mar começa a sorrir.