Prudência
Coruja no clone
alerta: “a extrema direita
jamais se abone!”
Hai-kais e poemas de Caíque Vieira
Caramanchão de madeira,
a buganvília que sobe
a parede em trepadeira,
porta azul... nada é esnobe,
o que se vê é o esmero,
vontade de embelezar
não há nenhum exagero
acalma só em olhar
a bicicleta que espera,
tão bom numa cidade
mansa... lembra primavera!
O foco na qualidade
da vida simples e bela
que de forma alguma ostenta,
ideia que o bom ser zela
porque a bondade se intenta.
Os quatro pilares em que se assenta a cultura humana são: a arte, a ciência, a mística e a filosofia. Dessas quatro grandes manifestações de nosso espírito, se fosse para eu escolher uma, escolheria a arte por me parecer a mais lúdica.
Até o século passado, a humanidade dividiu a arte em seis, quais são: a Música, a Dança, a Pintura, a Escultura, a Literatura, o Teatro e agora, a partir do século XX, mais uma, a sétima arte, o Cinema. Sempre acho que cometemos uma injustiça aí quando esquecemos a delicada Arte Culinária, delas talvez a que mais agrega as pessoas. Não é sem razão que Jesus Cristo reunia-se sempre com seus apóstolos em torno de uma mesa frugal, mas generosa.
A cozinha projetada para ser um ponto de encontro de uma casa ou um sítio é sempre um lugar muito agradável, sobretudo se há um artista culinário entre os convivas preparando petiscos para acompanhar a conversa regada a um bom café ou vinho.
Comer é um dos grandes e últimos prazeres que matemos até a idade avançada, mas é preciso saber comer, é uma arte que requer um sentido estético apurado e delicadeza, é necessário que saibamos comer bem e de forma agradável também aos que nos acompanham.
Alguns povos são especialistas e a praticam muito bem, com estética e requinte, como os franceses e os japoneses, por exemplo.
Os franceses têm um dos mais baixos índices de colesterol do mundo, servem-se sequencialmente em pequenas porções acompanhadas com uma taça de vinho, têm a fama internacional de bons gourmets.
Os japoneses são longevos. É o povo que mais pessoas centenárias têm entre eles, por causa de sua saudável, saborosa, delicada, colorida e bela culinária, milenarmente forjada pela limitação de seu diminuto território. Cultivam vistosas frutas e exploram os frutos do mar, especialmente as algas com que costumam envolver o arroz, também muito cultivado.
As outras artes requerem a atenção de um ou dois de nossos sentidos. Se vamos a uma sala de concerto, por exemplo, ouvimos a música apenas e vamos embora sem grandes interações com o outro que está ao nosso lado. Já a arte culinária, além de envolver vários sentidos, senão todos, pode nos conduzir a conversas agradáveis e prazerosas interações.
Influenciados pelo estilo pragmático americano, e pelo corre-corre de seu individualista e neurótico modo de vida, fomos conduzidos às fast foods e deixamos de adquirir a sensibilidade para apreciar com atenção e temperança esta que é eminentemente social, a Arte Culinária.
O mundo é pra se abraçar
Para Ásia Central fui viajar, e vou
Já lhe falar de tudo o que vi por lá
Civilização, cultura eloquente
invisível para o ocidente.
Narcisistas, somos afinal, meu Deus!
Para que tanta soberba, oh Alá!
Calem-se americanos, europeus
O mundo é mais pra se abraçar!
Samarkanda em azul celestial
Buchara, um poema a respirar
Tashkent e Dushanbé, pulso oriental
História viva a me chamar.
Se o mapa mente ao nosso olhar, amor
Cabe à alma reaprender a ver
Há mundos que insistimos ignorar
Só ama quem deseja conhecer.
no carro e deixou o vovô louco.
Mas correu tudo muito bem
agora é só mamar e dormir
Xixi pode fazer também
que a mamãe vai até sorrir
E quando acordar vai fazer
carinho, abraçar e cheirar
o mais cheirosinho bebê
Não vai pros teus irmãos falar.
Um dia, amor, você vai ver
a família que você tem
eles o amam pra valer
e você os amará também
Noites Asiáticas (Moscou)
Moscou desperta em luz,
Longe do senso comum,
uma cidade que traduz
o século vinte e um
Tverskaia em turbilhão,
Risos cruzando o luar,
Cada vitrine uma atração
Cada bistrô a cantar.
No Café Pushkin, calor,
Velas, conhaque e jazz,
Uma profusão de cor
e a alegria que traz
Quem vê tristeza em Moscou
Nunca viveu seu clarão:
Há fogo em cada avenida,
Há festa em cada estação.
Mel
Mel, vaidosa a passear
Cheia de charme e calor
Só quer saracotear
Troca olhares e tem humor
Corpinho a balançar
Ela é toda principesca
Corridinha? Nem pensar!
Prefere sombra e água fresca
Com cachorro é “talvez!”
Não é muito de amizade
Com gente não perde a vez
Pra um carinho sem maldade
Se a chuva começa a cair
Corre logo pra se esconder
Trovão faz ela fugir
E de nada quer saber.
Na velô em Paris
Já não tão jovens
nosso coração pediu
uma boa aventura e o corpo assentiu
Paris! Foi a pedida
feliz, a gente foi logo em seguida.
Já em Paris
nas belas margens do Sena
o vento no rosto e a alegria era plena
sobre a velô francesa
tudo era agora surpresa.
Uma parada pra uma Perrier
que bom, c’est si bon!
Estar aqui com você
e de novo pegar no guidom
Firme destreza
pelas ruas de Paris
lhe traziam juventude e leveza
e a gente aprendiz
de uma vida com beleza.