quinta-feira, 30 de julho de 2026

Pandemia e extrema direita


Pandemia e extrema direita


Os nossos melhores sonhos

Não podiam florecer

Confinados e tristonhos

Lutamos pra não morrer


O isolamento social

Era uma coisa de dar dó

Uma dor adicional

Para quem morava só


Tentei o alento refazer

Porque ainda há coisa pior

Do que o sonho suspender:

Abotoar o paletó.


Felizmente já passou

Vencemos a pandemia

Mas outra peste chegou

Pra tirar nossa alegria.


"A peste é a extrema direita!"

"Fascistas não passarão!"


Frisson no Balaton.


segunda-feira, 27 de julho de 2026

Três figurinhas




Bunker e regaço


Bunker e regaço


Na verdade, esteta

é, antes de quase nada,

músico e poeta. 


Ora aposentado,

comete canções e poemas 

e este foi seu brado! 


Sublima a beleza

que traz à inquieta alma

humana a leveza. 


Não se vê o piano

(está atrás do fotógrafo)

do seu cotidiano,


mas este é o seu espaço

livre com seus artefatos

– bunker e regaço.

Se você não for também não vou


quinta-feira, 16 de julho de 2026

Dois cachorrinhos


Dois cachorrinhos

Da Luiza, os dois cachorrinhos
se divertem: um, ao sol,
o outro tem os dois olhinhos
voltados pro girassol.

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

O unicórnio


 
O unicórnio

Numa área rósea e lisa
dá uns pulos sem igual
o unicórnio da Luiza,
mágico e especial.

terça-feira, 7 de julho de 2026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

sábado, 4 de julho de 2026

A suspeita



 A suspeita

A crônica arte
da Luiza mostra do nosso
cotidiano uma parte.

Houve uma suspeita:
"serão gêmeos? – a pergunta
que já foi desfeita.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Os pés não alcançam o chão


Os pés não alcançam o chão

Balança os pés a criança
ainda não alcançam o chão
o pai a observa e afiança,
terno, a sua evolução.

A criança sequer repara
o olhar do pai com ternura,
ela é ativa, não pára,
o pai quer vê-la segura.

Embora saiba que o filho
seja um filho do mundo
seu desejo é que o trilho 
proposto seja fecundo

e um “pit stop” é o seu papel.
Os pés alcançando o chão
pro pai será um troféu
seu caminho em retidão

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Prudência


Prudência


Coruja no cone

alerta: “a extrema direita

jamais se abone!”

sábado, 27 de junho de 2026

O simples e o belo


 O simples e o belo


Caramanchão de madeira,

a buganvília que sobe

a parede em trepadeira,

porta azul... nada é esnobe,


o que se vê é o esmero,

 vontade de embelezar

não há nenhum exagero

acalma só em olhar


a bicicleta que espera,

tão bom numa cidade 

mansa... lembra primavera!

O foco na qualidade


da vida simples e bela

que de forma alguma ostenta,

ideia que o bom ser zela

porque a bondade se intenta.



música

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Dijon iridescente


Dijon iridescente

Feliz fico e crente
na urbe que me recebe
toda iridescente.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A delicada arte culinária



Os quatro pilares em que se assenta a cultura humana são: a arte, a ciência, a mística e a filosofia. Dessas quatro grandes manifestações de nosso espírito, se fosse para eu escolher uma, escolheria a arte por me parecer a mais lúdica.


Até o século passado, a humanidade dividiu a arte em seis, quais são: a Música, a Dança, a Pintura, a Escultura, a Literatura, o Teatro e agora, a partir do século XX, mais uma, a sétima arte, o Cinema. Sempre acho que cometemos uma injustiça aí quando esquecemos a delicada Arte Culinária, delas talvez a que mais agrega as pessoas. Não é sem razão que Jesus Cristo reunia-se sempre com seus apóstolos em torno de uma mesa frugal, mas generosa.


A cozinha projetada para ser um ponto de encontro de uma casa ou um sítio é sempre um lugar muito agradável, sobretudo se há um artista culinário entre os convivas preparando petiscos para acompanhar a conversa regada a um bom café ou vinho.


Comer é um dos grandes e últimos prazeres que matemos até a idade avançada, mas é preciso saber comer, é uma arte que requer um sentido estético apurado e delicadeza, é necessário que saibamos comer bem e de forma agradável também aos que nos acompanham.


Alguns povos são especialistas e a praticam muito bem, com estética e requinte, como os franceses e os japoneses, por exemplo.


Os franceses têm um dos mais baixos índices de colesterol do mundo, servem-se sequencialmente em pequenas porções acompanhadas com uma taça de vinho, têm a fama internacional de bons gourmets.


Os japoneses são longevos. É o povo que mais pessoas centenárias têm entre eles, por causa de sua saudável, saborosa, delicada, colorida e bela culinária, milenarmente forjada pela limitação de seu diminuto território. Cultivam vistosas frutas e exploram os frutos do mar, especialmente as algas com que costumam envolver o arroz, também muito cultivado.


As outras artes requerem a atenção de um ou dois de nossos sentidos. Se vamos a uma sala de concerto, por exemplo, ouvimos a música apenas e vamos embora sem grandes interações com o outro que está ao nosso lado. Já a arte culinária, além de envolver vários sentidos, senão todos, pode nos conduzir a conversas agradáveis e prazerosas interações.


Influenciados pelo estilo pragmático americano, e pelo corre-corre de seu individualista e neurótico modo de vida, fomos conduzidos às fast foods e deixamos de adquirir a sensibilidade para apreciar com atenção e temperança esta que é eminentemente social, a Arte Culinária.


Nem sonho...


 Nem sonho...

 Imaginação
sequer, pensei em viajar
pro Uzbequistão.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Novo paradigma


Novo paradigma 

Na rota da seda
estou, e penso na queda
de certa moeda.

terça-feira, 16 de junho de 2026

O gesto


 O gesto

No instante, meus
pressentimentos notaram
que era um adeus.



Era a pandemia e fomos passear no jardim da casa da d. Alice que estava sentadinha na varanda de cima quando nos viu e fez este aceno, mas o que me ocorreu de interpretar foi um gesto de despedida, dada a avançada idade dela, 100 anos. Dois meses depois, no dia 12 de agosto de 2020, ela faleceu.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Pepê avisa


 O Pepê avisa

Sobre o bolo vemos:
quantos anos eu já tenho
e quantos seremos.

O mundo é pra se abraçar (instrumental)