quinta-feira, 18 de junho de 2026

A delicada arte culinária



Os quatro pilares em que se assenta a cultura humana são: a arte, a ciência, a mística e a filosofia. Dessas quatro grandes manifestações de nosso espírito, se fosse para eu escolher uma, escolheria a arte por me parecer a mais lúdica.


Até o século passado, a humanidade dividiu a arte em seis, quais são: a Música, a Dança, a Pintura, a Escultura, a Literatura, o Teatro e agora, a partir do século XX, mais uma, a sétima arte, o Cinema. Sempre acho que cometemos uma injustiça aí quando esquecemos a delicada Arte Culinária, delas talvez a que mais agrega as pessoas. Não é sem razão que Jesus Cristo reunia-se sempre com seus apóstolos em torno de uma mesa frugal, mas generosa.


A cozinha projetada para ser um ponto de encontro de uma casa ou um sítio é sempre um lugar muito agradável, sobretudo se há um artista culinário entre os convivas preparando petiscos para acompanhar a conversa regada a um bom café ou vinho.


Comer é um dos grandes e últimos prazeres que matemos até a idade avançada, mas é preciso saber comer, é uma arte que requer um sentido estético apurado e delicadeza, é necessário que saibamos comer bem e de forma agradável também aos que nos acompanham.


Alguns povos são especialistas e a praticam muito bem, com estética e requinte, como os franceses e os japoneses, por exemplo.


Os franceses têm um dos mais baixos índices de colesterol do mundo, servem-se sequencialmente em pequenas porções acompanhadas com uma taça de vinho, têm a fama internacional de bons gourmets.


Os japoneses são longevos. É o povo que mais pessoas centenárias têm entre eles, por causa de sua saudável, saborosa, delicada, colorida e bela culinária, milenarmente forjada pela limitação de seu diminuto território. Cultivam vistosas frutas e exploram os frutos do mar, especialmente as algas com que costumam envolver o arroz, também muito cultivado.


As outras artes requerem a atenção de um ou dois de nossos sentidos. Se vamos a uma sala de concerto, por exemplo, ouvimos a música apenas e vamos embora sem grandes interações com o outro que está ao nosso lado. Já a arte culinária, além de envolver vários sentidos, senão todos, pode nos conduzir a conversas agradáveis e prazerosas interações.


Influenciados pelo estilo pragmático americano, e pelo corre-corre de seu individualista e neurótico modo de vida, fomos conduzidos às fast foods e deixamos de adquirir a sensibilidade para apreciar com atenção e temperança esta que é eminentemente social, a Arte Culinária.


Nem sonho...


 Nem sonho...

 Imaginação
sequer, pensei em viajar
pro Uzbequistão.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Novo paradigma


Novo paradigma 

Na rota da seda
estive, e lá pensei na
queda de uma moeda.

terça-feira, 16 de junho de 2026

O gesto


 O gesto

No instante, meus
pressentimentos notaram
que era um adeus.


Era a pandemia e fomos passear no jardim da casa da d. Alice que estava sentadinha na varanda de cima quando nos viu e fez este aceno, mas o que me ocorreu de interpretar foi um gesto de despedida, dada a avançada idade dela. Dois meses depois, no dia 12 de agosto de 2020, ela faleceu.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Pepê avisa


 O Pepê avisa

Sobre o bolo vemos:
quantos anos eu já tenho
e quantos seremos.

O mundo é pra se abraçar (instrumental)


quinta-feira, 11 de junho de 2026

O mundo é para se abraçar. (cantada)



O mundo é pra se abraçar 


Para Ásia Central fui viajar, e vou

Já lhe falar de tudo o que vi por lá

Civilização, cultura eloquente 

invisível para o ocidente.


Narcisistas, somos afinal, meu Deus!

Para que tanta soberba, oh Alá!

Calem-se americanos, europeus 

O mundo é mais pra se abraçar!


Samarkanda em azul celestial

Buchara, um poema a respirar

Tashkent e Dushanbé, pulso oriental

História viva a me chamar.


Se o mapa mente ao nosso olhar, amor 

Cabe à alma reaprender a ver

Há mundos que insistimos ignorar

Só ama quem deseja conhecer.


Jam section para o Eduardo.



 Jam section para o Eduardo

Dorme agora bem meu bebê 
que a gente passou um sufoco
Você foi achar de nascer

no carro e deixou o vovô louco. 


Mas correu tudo muito bem

agora é só mamar e dormir

Xixi pode fazer também 

que a mamãe vai até sorrir


E quando acordar vai fazer

carinho, abraçar e cheirar

o mais cheirosinho bebê 

Não vai pros teus irmãos falar. 


Um dia, amor, você vai ver

a família que você tem

eles o amam pra valer

e você os amará também


Música

sábado, 23 de maio de 2026

Noites Asiáticas (Moscou)





Noites Asiáticas (Moscou)


Moscou desperta em luz,

Longe do senso comum,

uma cidade que traduz 

o século vinte e um


Tverskaia em turbilhão,

Risos cruzando o luar,

Cada vitrine uma atração 

Cada bistrô a cantar.


No Café Pushkin, calor,

Velas, conhaque e jazz,

Uma profusão de cor

e a alegria que traz


Quem vê tristeza em Moscou

Nunca viveu seu clarão:

Há fogo em cada avenida,

Há festa em cada estação.


terça-feira, 19 de maio de 2026

Mel



Mel


Mel, vaidosa a passear

Cheia de charme e calor

Só quer saracotear 

Troca olhares e tem humor


Corpinho a balançar

Ela é toda principesca

Corridinha? Nem pensar!

Prefere sombra e água fresca


Com cachorro é “talvez!”

Não é muito de amizade

Com gente não perde a vez

Pra um carinho sem maldade


Se a chuva começa a cair

Corre logo pra se esconder

Trovão faz ela fugir

E de nada quer saber. 



sábado, 16 de maio de 2026

Fleuma felina.


Fleuma felina
 
Os gatos dormitam
à tardinha no jardim –
sequer me evitam.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

No nosso jardim (música: Destinos)


No nosso jardim

Em dupla elas brotam

– flores do deserto – colorem

e de encanto lotam. 



terça-feira, 12 de maio de 2026

Na velô em Paris



Na velô em Paris


Já não tão jovens

nosso coração pediu

uma boa aventura e o corpo assentiu

Paris! Foi a pedida

feliz, a gente foi logo em seguida.


Já em Paris

nas belas margens do Sena

o vento no rosto e a alegria era plena

sobre a velô francesa

tudo era agora surpresa.


Uma parada pra uma Perrier 

que bom, c’est si bon!

Estar aqui com você

e de novo pegar no guidom


Firme destreza

pelas ruas de Paris

lhe traziam juventude e leveza

e a gente aprendiz

de uma vida com beleza.



Música

segunda-feira, 11 de maio de 2026

sábado, 9 de maio de 2026

Agora sou fidelista!


Agora sou fidelista!


Nunca fui de extrema esquerda,

Mas me acusavam de ser.

Minha mente meio lerda

custou para perceber


que de extrema eram eles

escondidinhos no armário.

Foi surgir um desses reles,

chinfrim, sórdido, ordinário,


facínora, vulgo mito,

que logo se bandearam

para as hostes do maldito,

os que o dedo me apontaram.


Ora, ora, seu fascista,

se é para ser assim,

aviso do meu jardim:

agora sou fidelista!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Dança das águas

música

Dança das águas


Ah… no azul vibra um segredo 

Ah… gotas descem em canção

E ao mistério finalmente cedo

Diante dessa imensidão 

Coral abre seus braços

Em múltiplos abraços.


As ondas tecem seus traços

de espuma que não cessa

As bolhas sobem em dança

Riscam as trilhas no mar

O tempo esquece a pressa

Só existe a vida a pulsar


E dessas águas no vai e vem

É que tudo aprende a fluir

Entre todo o mau e todo o bem

O mar começa a sorrir. 

Cantada