Logo depois da pandemia, andou aparecendo aqui pelas redondezas um negro tocando pistom por umas três noites. Numa delas, vi que o som vinha da avenida Dom Luiz, abri a janela, ele estava tocando sentado no ponto do ônibus. Descrevi bem direitinho para a IA pedindo um desenho tipo rascunho, ela desenhou tal e qual como o vi. O pistonista era talentoso e tocou uma música do Duke Ellington que logo me chamou atenção: In My Solitude. Fiquei tocado porque o solo estava bonito e chovia, o que dava um tom ainda mais dramático àquela música. Depois ele tocou outras também muito bonitas. Há umas duas semanas, me lembrei disso e compus essa letra e música.
Solo noturno
Ouço de repente
Um solo na madrugada
E era tão pungente
Que minha alma ficou toda enredada.
Abro a janela
Um negro com seu pistom
Que música era aquela?
Que talento escondido, oh que dom!
Fiquei quieto ouvindo o seu som
Que a chuva ainda melhorava
Nada igual ouvi em lugar algum
Não sei se acordei ou se sonhava
Calou-se o pistom
A chuva diminuiu
Depois daquele som
Tristonho, meu sono sumiu.
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