quinta-feira, 5 de março de 2026

Solo noturno


Logo depois da pandemia, andou aparecendo aqui pelas redondezas um negro tocando pistom por umas três noites. Numa delas, vi  que o som vinha da avenida Dom Luiz, abri a janela, ele estava tocando sentado no ponto do ônibus. Descrevi bem direitinho para a IA pedindo um desenho tipo rascunho, ela desenhou tal e qual como o vi. O pistonista era talentoso e tocou uma música do Duke Ellington que logo me chamou atenção: In My Solitude. Fiquei tocado porque o solo estava bonito e chovia, o que dava um tom ainda mais dramático àquela música. Depois ele tocou outras também muito bonitas. Há umas duas semanas, me lembrei disso e compus essa letra e música.


Solo noturno 


Ouço de repente

Um solo na madrugada

E era tão pungente

Que minha alma ficou toda enredada. 


Abro a janela

Um negro com seu pistom

Que música era aquela?

Que talento escondido, oh que dom!


Fiquei quieto ouvindo o seu som

Que a chuva ainda melhorava

Nada igual ouvi em lugar algum

Não sei se acordei ou se sonhava


Calou-se o pistom

A chuva diminuiu 

Depois daquele som

Tristonho, meu sono sumiu. 



música


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