ai! A disposição dos
outros é um horror!
A sequência suspensa
1ª foto: a princesa tenta conversar com o princeso que não dá ouvidos;
2ª foto: ela se aproxima, insiste e ele, pelo menos, vira a cabeça, parecendo ouví-la;
3ª foto: dito o que queria dizer, a princesa se volta aliviada e o princeso fica pensativo."
Paparazzi: "A interpretação foi errada, mas foi criativa, não foi?" Ela: "Demais!"
O Ressuscitado
Compro o Bizantino
Crucifixo que ontem vi.
Com ele me afino:
Deus ressuscitado
tem significado mais forte
do que inanimado
porque invencível!
Ainda que a sua mensagem
pareça implausível,
sem prioridade,
estará no coração
dos de boa vontade
– vital minoria
de cujo fogo sagrado
grassará um dia.
* Ontem, no agradabilíssimo jantar de confraternização dos viajantes dos Bálcãs no apartamento da Claudinha, me deparei com esse Crucifixo que há algum tempo me chamou a atenção por não ser o Cristo morto, mas ressuscitado. Andei procurando por ele, mas sem saber como chamá-lo, o descrevia como o crucifixo do Cristo ressuscitado, as vendedoras nunca sabiam. A Claudinha me disse que era conhecido como o Crucifixo Bizantino e me falou do que se lembrava das referências que tem nele sobre história cristã.
Hoje de manhã bem cedo, fui ao Shalom e, com o nome em mente, facilmente comprei. Cheguei em casa, coloquei na estante, fotografei, admirei e, para ficar o registro, fui fazendo esse poeminha simples sobre o efeito que ele exerce em mim.
Dedico então o poema às mulheres e aos homens de boa vontade que acreditam na mensagem solidária do Cristo, que são minoria marcante, haja visto o genocídio em Gaza, televisionado, que o mundo não consegue parar, também as guerras em curso e os maus valores que estão sendo resgatados e chegam até nós… mas mesmo sendo minoria os de boa vontade, esse núcleo de “amorização”, como dizia o padre francês Teilhard de Chardin, se espalhará como uma faísca inicia e se espalha num incêndio formidável. Esta é a minha esperança sobre a mensagem do Cristo.
A homenagem
O normal conflito
de geração zera aqui
na terra de Tito.
Havia gente antiga
gente jovem que ao fim e ao
cabo fica amiga.
Mais jovens na viagem,
por sua interação com todos
a nossa homenagem
à Alais e ao Leonardo
e o afetuoso beijo e abraço
deste amigo bardo.
A delicadeza da arte
Impressiona o fino
trato que o mestre do mármore
deu como destino:
um diáfano véu
em Carrara que vela a
Rainha Isabel
No Santuário, oro
sob as árvores. Por minha
própria fé, imploro.
Depois do acordado
silêncio, o terço segue
em tom modulado
pela teologal
virtude da esperança
de que haja um sinal
triunfal dos pedidos.
Iridescente, o céu declara:
serão atendidos!
Antes que seja tarde
Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.
MANUEL DA FONSECA, in POEMAS DISPERSOS (1958); in OBRA POÉTICA (Ed. Caminho, 1998)