O chapéu da Lulu
Esse coisa, tal de Trump aí
que quer mandar, ser coronel
tem que deixar de mimimi
e ler o escrito no Chapéu
da Lulu que com o seu dedo
curte e para os embusteiros
que nos zoaram, diz sem medo:
“O Brasil é dos brasileiros!”
O chapéu da Lulu
Esse coisa, tal de Trump aí
que quer mandar, ser coronel
tem que deixar de mimimi
e ler o escrito no Chapéu
da Lulu que com o seu dedo
curte e para os embusteiros
que nos zoaram, diz sem medo:
“O Brasil é dos brasileiros!”
O medíocre vaidoso
A vaidade é o pior pecado
bem sabe Antônio Salieri
cuja fama e estrelado
Mozart faz sombra e o fere
como é ferido o pequeno
Fux por sua própria inveja
e seu natural veneno
que a luz de Xandão enseja.
Alexandre de Morais
coragem, tenacidade,
lucidez e muito mais
fulminam Fux, sua vaidade.
O fanático
Voltaire, o sábio francês,
sugere com acuidade
que cuidar da lucidez
deve ser prioridade.
E com boa vontade ensina
pra quem quiser aprender
com sua metáfora fina,
mas fácil de entender:
"Se o fanatismo gangrena
o cérebro, a enfermidade
é incurável". Aliena,
emburra, adito em verdade.
A nossa dívida
Folheio os nossos retratos
da década de setenta,
constato: urge sermos gratos,
nos benzer com água benta
por termos sido felizes,
jovens descompromissados
na vida, só aprendizes
do amor, leves namorados.
Você e eu, ali, airosos
na dourada juventude.
Peço aos céus que, generosos,
nos conceda mais saúde
pra retribuirmos agora
aos que lutaram por nós
e que fizeram cair fora
os de vocação pra algoz.
É necessário clamar
contra o que as luzes apaga
e com vontade votar
em quem o futuro afaga.
Uma referência
Já bem jovem percorreu
Via Crucis, mas bem trilhada
e sua sorte floresceu
com mestria iluminada.
Do estudo fez fortaleza,
obstinada, olhar atento
da sapiência, a destreza
na sua vida, o fundamento.
Com seu amor construiu
lar de fortuna e bravura,
quatro filhos conduziu
com afeto e boa ventura.
No labor deixou memória,
a sua obra é quem bem frisa
já que a luta virou glória
porque a ação era a baliza.
Hoje, embora o tempo insista
com brumas se aproximando,
que seu legado persista,
e os frutos sigam brotando.
***
No aniversário da Luiza e da Marina, vi a Leliana por uma foto tirada pela Gilda, na janela de um dos quartos. Fiz uma aquarela da foto para ver se melhorava; doente, com uma infecção urinária, a foto não melhorou. Fiquei muito triste, parecia tão mal. Mas no dia seguinte de manhã, ela estava ótima, mantinha seus traços da bela mulher que sempre foi.
Pensando na sua trajetória, que é uma referência e tanto, e tendo mais de duas horas de folga no avião de volta para Fortaleza, resolvi dedicar-lhe um poema, simples, mas de genuína admiração. Aliás, não resolvi fazer no avião, antes de sair da casa da Beatriz, fotografei e editei a foto do casamento deles que está em cima da cristaleira da sala de jantar, e em seguida mandei fazer a aquarela. Resolvi fazer ainda em Brasilia, mas fiz no avião.
A minha expectativa é que gostem do poema, até porque escolhi um tom celebrativo, exaltando sua vida. Só na última estrofe é que menciono sutilmente o Alzheimer.
Os pares
Pelo mundo, peregrino
com um par de sola antigo
e o meu par de trato fino
surpreendendo-me comigo.
Da minha afeiçoada zona
de conforto sempre saio,
a reação até ensaio,
mal resisto, vou à lona
ante a graça do meu par.
Parto meio a contragosto:
ainda pensando em voltar,
ficar quieto no meu posto.
Mas vou. No retorno, a história
muda, e como me faz bem!
Bendigo o amor – minha glória –
o arrojo e as solas também.
***
Já pensando na viagem Roma-Vaticano-Sicília, como um ato de liberdade contra o sentimento produzido pelo contumaz desconforto que me acomete ao viajar, fiz este poema.
O estimado medo
A minha coragem
some, invariavelmente, ao
iniciar a viagem:
mão à palmatória,
tiro a máscara e rezo
a jaculatória.
Bem conheço o enredo
que deu certo e assim conservo,
orgulhoso, o medo.
Deste silêncio não gosto
Havia, sim, o que fazer
tinham, porém, que pactuar.
Não buscaram entender,
depois, sequer, perdoar.
A vingança agora ataca
atinge um querido em cheio
sou forçado a ser estaca
suporte, mas mudo e frio.
Foi decidido assim
até o cooptaram com brilho
que se volta contra mim
se um outro caminho trilho.
Ninguém concede o direito
é necessária a luta
esta inércia não aceito
sou afeito à disputa.
Através da luta, o acordo
no entendimento aposto
civilizado, não mordo
deste silêncio não gosto.